Não adianta, Não adianta nada ver a banda, Tocando "A Banda" em frente da varanda, Não adianta o mar, E nem a sua dor.
Não adianta, Não adianta o bonde, a esperança, E nem voltar um dia a ser criança, O sonho acabou, E o que adiantou?
Não tenho pressa, Mas tenho um preço, E todos tem um preço, E tenho um canto, Um velho endereço, O resto é com vocês, O resto não tem vez.
O que importa, É que já não me importa, o que importa, É que ninguém bateu em minha porta, É que ninguém morreu, ninguém morreu por mim.
Não quero nada, Não deixo nada, que não tenho nada, Só tenho o que me falta e o que me basta, No mais é ficar só, Eu quero ficar só.
Não adianta, Não adianta, que não adianta, Não é preciso, que não é preciso, Então pra que chorar? Então pra que chorar? Quem está no fogo, está pra se queimar, Então pra que chorar?
Anchieta Alencar Amado Alienígena cósmico mau trajado. Involuntariamente voluntário. Pagador de promessa. Carrega a cruz de pau-brasil A mesma de Candinho, Oiticica e Gil. Que terra é essa aratu? Di Carnaval, pantanal e Embratel, Em que sambam em Minas os Profetas de Aleijadinho, E não cantam no Rio as canções de Noel! O menino Caxias, avião. A menina Elis, prostituição. Estatísticas de um Ibope manipulado, Personagens de um Tropicalismo apaixonado. USP, TBC, CSN, MPB. O Nordeste tem sede, E não é de Coca-Cola. A criança tem fome, E a merenda é na escola. Cadê a escola? Mangueira, Portela, E no morro, procelas. Em cores vivas nas telas. Não nas de Volpi, nem de Tarsila, Mas, nas de Xuxa, de Cláudio e Chacrinha. CSN, FGV, IBGE, MMDC. Ditadura ou Democracia? FHC ou futebol? Virgulino Vargas Veríssimo! Xavante guerreiro do Xingó! Passeia mensageiro, Espreitando Conselheiro, Nos sertões de Euclides Caiapó! E das veredas da Amazônia, Vê-se o nascer da nova Era, Onde um Garrincha debochado, Surrealista personagem, Das páginas de um Lobato safenado, Dribla o Ato Institucional número 5, E ao som das Bachianas, Confronta a AIDS rio morto acima, E desatina. Aqui jaz o Tietê. Além, o São Francisco. Se do mal soubesse o risco, Embriagado em café preto, Terminando assim seus dias, Baden, Becker, Blanc e Bilac. Boas bundas de Copacabana, Outra vida teria levado, Mazaropiando desafinado.
(Paulo Brazyl)
Imagem: Paráclito, o prometido de Gervásio de Farias.