quarta-feira, 29 de julho de 2009

Qualcosa Che Non C'è - Elisa


Tutto questo tempo a chiedermi
Cos'è che non mi lascia in pace
Tutti questi anni a chiedermi
Se vado veramente bene
Così
Come sono
Così

Così un giorno
Ho scritto sul quaderno
Io farò sognare il mondo con la musica
Non molto tempo
Dopo quando mi bastava
Fare un salto per
Raggiungere la felicità
E la verità è che

Ho aspettato a lungo
Qualcosa che non c'è
Invece di guardare il sole sorgere

Questo è sempre stato un modo
Per fermare il tempo
E la velocità
I passi svelti della gente
La disattenzione
Le parole dette
Senza umiltà
Senza cuore così
Solo per far rumore

Ho aspettato a lungo
Qualcosa che non c'è
Invece di guardare
Il sole sorgere

E miracolosamente non
Ho smesso di sognare
E miracolosamente
Non riesco a non sperare
E se c'è un segreto
E' fare tutto come
Se vedessi solo il sole

Un segreto è fare tutto
Come se
Fare tutto
Come se
Vedessi solo il sole
Vedessi solo il sole
Vedessi solo il sole

E non
Qualcosa che non c'è

Tradução

Todo este tempo a me perguntar
O quê não me deixa em paz
Todos estes anos a me perguntar
Se vou realmente bem
Assim
Como sou
Assim

Assim um dia
Escrevi em um caderno
Eu farei o mundo sonhar com a música
Não muito tempo
Depois quando me bastava
Fazer um salto para
Alcançar a felicidade
e a verdade é que

Esperei por muito tempo
Algo que não existe
Em vez de ver o sol surgir

Este sempre foi um modo
Para parar o tempo
E a velocidade
Os passos acordados das pessoas
A desatenção
As palavras ditas
Sem humildade
Sem coração, assim
Só para fazer barulho

Esperei por muito tempo
Algo que não existe
Em vez de ver o sol surgir

E milagrosamente não
Desisti de sonhar
E milagrosamente
Não arrisco a não esperar
E se há um segredo
É fazer tudo como
Se visse só o sol

Um segredo é fazer tudo
Como se
Fazer tudo
Como se
Visse só o Sol
Visse só o Sol
Visse só o Sol

E não
Algo que não existe.

Como tratar o que se tem...


"Existe um ser que mora em mim como se fosse casa sua, e é. Trata-se de
um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem - pois
nunca morou em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela -
apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura
primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu
focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o
cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha
outra casa que não tenha medo do que é ao mesmo tempo selvagem e
suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu
nome. Ou não se acerta, mas uma vez chamado com doçura e autoridade
ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo é livre, ele trota sem ruídos e
vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se
engana e pensa que é a gente mesmo que está relinchando de prazer ou
de cólera." (Clarice Lispector)

Já que sou, o jeito é ser.



"... já que sou, o jeito é ser.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta, continuarei a escrever. (...) Pensar é um ato. Sentir é um fato.
Estou fruindo o que existe. Calada, aérea, no meu grande sonho. Como nada entendo - então adiro à vacilante realidade móvel. O real eu atinjo através do sonho.
Eu te invento, realidade. E te ouço como remotos sinos surdamente submersos na água badalando trémulos. Estou no âmago da morte? E para isso estou viva? O âmago sensível. E vibra-me esse it. Estou viva. Como uma ferida, flor na carne, está em mim aberto o caminho do doloroso sangue. Com o directo e por isso mesmo inocente erotismo dos índios da Lagoa Santa.
Eu, exposta às intempéries, eu inscrição aberta no dorso de uma pedra, dentro dos largos espaços cronológicos legados pelo homem da pré-história. Sopra o vento quente das grandes extensões milenares e cresta a minha superfície." (Clarice Lispector)