terça-feira, 10 de maio de 2011

Paciência

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Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara
(tão rara)


Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
(a vida não para não)


Será que é tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara
(tão rara)


Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
a vida não para não
a vida
é tão rara


(Lenine)




Foto: Anders Uddeskog
http://www.flickr.com/photos/andersuddeskog/




terça-feira, 3 de maio de 2011

Balada do Cárcere de Reading





(...)
Eu soube, então, a idéia lacerante
que o atormenta, e o faz correr,
e o faz olhar, tristonho, o céu radiante,
radiante, e alheio ao seu sofrer:
de matou aquela que adorava...


No entanto (ouvi) cada um mata o que adora:
o seu amor, o seu ideal.
Alguns com uma palavra de lisonja,
outros com um duro olhar brutal,
O covarde assassina dando um beijo,
o bravo, mata com um punhal.

Uns matam o Amor, velhos; outros, jovens;
(quando o amor finda, ou o amor começa);
matam-no alguns com a mão do Ouro, e alguns
com a mão da Carne — a mão possessa!
E os mais bondosos, esses apunhalam,
- que a morte, assim, vem mais depressa.

Há corações vendidos, e há comprados;
uns amam, pouco, outros demais;
há quem mate a chorar, vertendo lágrimas,
ou a sorrir, sem dor, sem ais.
Todo homem mata o Amor; porém, nem sempre,
nem sempre as sortes são iguais."
(...)


(Oscar Wilde)





Foto: Gusti Yogiswara
http://www.flickr.com/photos/goestimay/





Olhar

The Chatters




Conheço as pessoas pelo olhar,
Escolho meus amigos pela pupila,
Pela força do olhar dilatado,
...Pelas lágrimas que neles brotam,
Pelas íris abertas que riem.
Tem que ter brilho questionador
Tonalidade inquietante, impaciente,
E transparência translúcida.

Não me interessam somente os bons de espírito,
Nem somente os maus de hábitos.
Não me interessam personalidades fracas,
Nem os de mau caráter.
Fico com aqueles que fazem de mim louco varrido
E provoquem a minha santidade,
Que me tragam dúvidas e angústias,
Ansiedades e medos e adrenalina,
E aguentem o que há de bom e de pior em mim.

Escolho meus amigos pela cara lavada
E pela alma exposta,
Pela anarquia intrínseca.
Não quero só o ombro ou o colo nas horas tristes,
Quero também sua maior alegria,
Suas gargalhadas barulhentas e estridentes.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto!

Meus amigos precisam ser assim: originais,
Metade bobeira e criancices,
Outra metade seriedade e crescimento.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios e palhaços,
Daqueles que fazem da realidade
Concretização de sonhos
E sua fonte de aprendizagem,
Mas lutam para que a poesia da vida
E a fantasia e os sonhos não desapareçam.

Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto,
E o valor de continuarem brincando com a vida;
E velhos, para que nunca tenham pressa,
E que sejam verdadeiros e sejam puros.
Tenho amigos para saber quem eu sou,
Pra brincar, cantar juntos, fazer piqueniques,
Contar piadas tolas, e muito rir.

Loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos,
Nunca me esquecerei de que a "normalidade"
É uma ilusão imbecil e estéril.
Por isto, quero ser o supra-sumo
E possivelmente o resumo
Do amar-nos uns aos outros.



Getulio Junior
Adaptação a texto de Oscar Wilde
Vassouras, Rio de Janeiro, 08. 09. 2009




Foto: Gusti Yogiswara
http://www.flickr.com/photos/goestimay/