Mostrando postagens com marcador Bernardo Soares Livro do Desassossego. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bernardo Soares Livro do Desassossego. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Minha alma...





"Minha alma é uma orquestra oculta;
não sei que instrumentos
tangem e rangem,
cordas e harpas,
tímbales e tambores,
dentro de mim.
Só me conheço como sinfonia."

(Fernando Pessoa/Bernardo Soares - Livro do Desassossego)




Cada pessoa que encontro...







"Há dias em que cada pessoa que encontro, e, ainda mais, as pessoas habituais do meu convívio forçado e quotidiano, assumem aspectos de símbolos, e, ou isolados ou ligando-se, formam uma escrita poética ou oculta, descritiva em sombras da minha vida. O escritório torna-se-me uma página com palavras de gente; a rua é um livro; as palavras trocadas com os usuais, os desabituais que encontro, são dizeres para que me falta o dicionário mas não de todo o entendimento. Falam, exprimem, porém não é de si que falam, nem a si que exprimem; são palavras, disse, e não mostram, deixam transparecer. Mas, na minha visão crepuscular, só vagamente distingo o que essas vidraças súbitas, reveladas na superfície das coisas, admitem do interior que velam e revelam. Entendo sem conhecimento, como um cego a quem falem de cores." (Fernando Pessoa / Bernardo Soares - Livro do Desassossego)