Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fernando Pessoa. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Se escrevo o que sinto





"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto {…} De resto, com que posso contar comigo? Uma acuidade horrível das sensações, e a compreensão profunda de estar sentindo…Uma inteligência aguda para me destruir, e um poder de sonho sôfrego de me entreter…”

(Fernando Pessoa)





segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Parece às vezes que desperto





Parece às vezes que desperto
E me pergunto o que vivi;
Fui claro, fui real, é certo,
Mas como é que cheguei aqui?
A bebedeira às vezes dá
Uma assombrosa lucidez
Em que como outro a gente está.
Estive ébrio sem beber talvez.
E de aí, se pensar, o mundo
Não será feito só de gente
No fundo cheia de este fundo
De existir clara e ebriamente?
Entendo, como um carrocel;
Giro em meu torno sem me achar...
(Vou escrever isto num papel
Para ninguém me acreditar...)

(Fernando Pessoa)



Passa uma nuvem pelo sol





Passa uma nuvem pelo sol
Passa uma pena por quem vê.
A alma é como um girassol:
Vira-se ao que não está ao pé.
Passou a nuvem; o sol volta.
A alegria girassolou.
Pendão latente de revolta,
Que hora maligna te enrolou?

(Fernando Pessoa)


Amo como ama o amor.





Amo como ama o amor.
Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga,
além de que te amo,
se o que quero dizer-te é que te amo?
(Fernando Pessoa)



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Minha alma...





"Minha alma é uma orquestra oculta;
não sei que instrumentos
tangem e rangem,
cordas e harpas,
tímbales e tambores,
dentro de mim.
Só me conheço como sinfonia."

(Fernando Pessoa/Bernardo Soares - Livro do Desassossego)




Cada pessoa que encontro...







"Há dias em que cada pessoa que encontro, e, ainda mais, as pessoas habituais do meu convívio forçado e quotidiano, assumem aspectos de símbolos, e, ou isolados ou ligando-se, formam uma escrita poética ou oculta, descritiva em sombras da minha vida. O escritório torna-se-me uma página com palavras de gente; a rua é um livro; as palavras trocadas com os usuais, os desabituais que encontro, são dizeres para que me falta o dicionário mas não de todo o entendimento. Falam, exprimem, porém não é de si que falam, nem a si que exprimem; são palavras, disse, e não mostram, deixam transparecer. Mas, na minha visão crepuscular, só vagamente distingo o que essas vidraças súbitas, reveladas na superfície das coisas, admitem do interior que velam e revelam. Entendo sem conhecimento, como um cego a quem falem de cores." (Fernando Pessoa / Bernardo Soares - Livro do Desassossego)